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author Software, Open Source, SOA, Innovation, Open Standards, Trends

Pensando Software. Um blog para debater ideias, inovacoes e tendencias da industria de software.



Friday August 22, 2008

Filosofando sobre meio ambiente

O assunto sustentabilidade do meio ambiente me interessa muito. E volta e meia me pego “filosofando” sobre o tema. Para mim está ficando claro que os modelos econômicos atuais não reconhecem que a economia faz parte de um contexto ecológico e social. Vivemos em contínua interação com os recursos naturais, fato que curiosamente é praticamente ignorado pelas leis da economia.

Pela excessiva ênfase na quantificação (que dá uma aparência de ciência exata à economia...), as teorias econômicas desprezam aspectos qualitativos, pois estes não podem ser incluídos nas análises quantitativas e seus elaborados modelos matemáticos. Por exemplo, crescimentos no PIB aparecem de forma positiva, mesmo que às custas de degradação ambiental e social. Monstruosos engarrafamentos de trânsito são tratados de forma positiva, pois o aumento no consumo de combustível, nas internações hospitalares e na venda de remédios causados por estes engarrafamentos são indicadores positivos. Por outro lado os danos sociais e ambientais gerados por estes mesmos engarrafamentos não são considerados nas variáveis econômicas.

Devemos repensar os modelos e paradigmas da economia. Muitos dos seus conceitos, tão intensamente arraigados, que não são nem de raspão debatidos, não deveriam ser modificados? Por exemplo, será que a idéia de balança comercial positiva, criada em um contexto de valores de séculos atrás, ainda tem significado hoje, em um mundo cada vez mais plano e interconectado?

Vejamos as idéias de Adam Smith, que publicou em 1776 um livro considerado um marco na economia, “Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”. A sua proposta de crescimento contínuo tem sido adotada até hoje. Na sua época, os limites dos recursos naturais estavam muito distantes, tanto que ele considerava esta limitação irrelevante para as suas teorias. Mas, hoje, o ritmo do esgotamento está se acelerando e em breve muitos recursos naturais estarão simplesmente esgotados. Estes preceitos não deveriam ser revistos?

Os atuais modelos econômicos, sejam eles capitalistas ou socialistas, enfatizam o crescimento todo custo. O atual pensamento econômico é claramente antiecológico. A energia que consumimos é simplesmente medida em quilowatts, independentemente se sua origem consome recursos não renováveis. O valor relativo dos bens e serviços é apenas o valor monetário. O ar, a água e os ecossistemas são tratados como mercadorias livres.

Entretanto, estes modelos ignoram que a expansão ilimitada é inviável em um ambiente finito como nosso planeta. O preço que a sociedade vem pagando por estes conceitos errados é a contínua degradação da qualidade de vida, onde ao lado de bens materiais que adquirimos, convivemos com um ar cada vez mais poluído, alimentos mais impregnados de produtos químicos e relações sociais cada vez mais conflitantes. Será realmente que podemos considerar que estamos obtendo um resultado positivo?

Precisamos rever os conceitos e teorias econômicas. O pensamento econômico deveria ser reestruturado de forma quebrar o paradigma cartesiano que separa a economia de outras ciências como a ecologia e criar uma outra abordagem, mais integrada e sistêmica, onde ecologia, biologia e outros ramos do conhecimento humano sejam considerados em conjunto. Para mim, a ecoeconomia é o futuro da economia.



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Aug 22 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Wednesday August 20, 2008

ISO ignora apelos do Brasil

A ISO recentemente anunciou que “…Os boards técnicos da ISO e do IEC dão um ‘go-ahed’ para a publicação do OpenXML…”, e que “… Nenhum dos apelos do Brasil, India, África do Sul e Venezuela recebeu o apoio para continuarem sendo avaliados por dois terços dos membros do TMB/SMB…”. Vejam o press-release da ISO em http://www.iso.org/iso/pressrelease.htm?refid=Ref1151.

O Jomar Silva, diretor da ODF Alliance Brasil fez uma excelente avaliação do fato em seu blog http://homembit.com/.

Ele pergunta diretamente: “O que aconteceria se este apelo tivesse sido apresentado pela Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e França ? Ele seria sumariamente ignorado como foi ?”. Segundo Jomar, que esteve participando do BRM em Geneve, “Brasil, India e África do Sul foram tratados como países de segunda linha já durante o BRM, e somados com a Venezuela, fomos agora os quatro tratados com irrelevância novamente”. Na sua opinião a ISO não seria mais o foro legítimo para tratar de normalização no mundo em que países em desenvolvimento passam a ter um papel muito mais preponderante na economia mundial.

É absolutamente necessário rever os procedimentos e a própria legitimidade da ISO. Bob Sutor, VP de Open Source e Open Standards da IBM em uma entrevista recente (http://arstechnica.com/news.ars/post/20080813-ibm-vp-office-openxml-a-dead-end-microsoft-will-back-odf.html) foi enfático ao responder: “Although he doesn't believe that the OOXML controversy will slow down adoption of open standards, he suspects that ISO will lose some credibility. The national bodies that were not permitted to present their proposals during the review process clearly feel that they were marginalized by blanket voting and other procedural shortcuts. This has led them to question the inclusiveness of ISO. The organization's dismissive response to the allegations has seriously exacerbated the issue and is reinforcing the perception of exclusivity.”.

Ele diz também : “anyone can create a standards organization and that other organizations will emerge to displace ISO if it loses public trust.”.

Pessoalmente concordo com Sutor e Jomar. A ISO está perdendo credibilidade e acredito que chegou o momento dos países em desenvolvimento se unirem para a construção de uma entidade internacional de normalização que seja adequada à nova realidade. O movimento que ele está liderando realmente merece atenção.



Categories : [   ODF  |  OpenXML  ]

Aug 20 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday August 19, 2008

World Community Grid e a computação filantrópica

Nesta última sexta feira estive participando de um evento patrocinado pela nossa área de Cidadania Corporativa, onde abordamos o World Community Grid, projeto criado pela IBM em 2004, com o objetivo de criar a maior grade computacional pública do mundo, em benefício da humanidade. O evento foi realizado em parceria com o projeto Universia (www.universia.com.br), portal de desenvolvimento acadêmico patrocinado pelo Santander.

Este modelo é baseado na idéia de voluntariado, onde um usuário toma a decisão deliberada de ceder ciclos ociosos de seu PC para contribuir com uma determinada organização a executar uma tarefa, seja pesquisa por vida extraterrena, cura do câncer, pesquisa climatológica ou qualquer outra iniciativa. Esta modalidade de computação está sendo chamada de “computação filantrópica”.

A idéia por trás deste projeto é simples. Após o usuário se cadastrar como voluntário no site especifico do projeto, como o www.worldcommunitygrid.org , um pequeno programa é transferido (downloaded) para o seu PC. Este programa é o responsável pela comunicação via Internet com o servidor central, bem como pela utilização dos ciclos ociosos do PC para execução da tarefa computacional solicitada.

A sua característica principal é que demanda pouca interação com o servidor central, resumindo-se a baixar novos dados ou devolver dados já processados. A maior demanda é pelos ciclos de processador da máquina, que opera a computação independente do servidor central.

A lógica de operação é simples. O programa cliente estabelece uma conexão via Internet com os servidores, obtém uma unidade de trabalho e fecha a conexão. Depois, processa os dados de forma independente dos servidores. Este tempo pode ser de até vários dias, dependendo da velocidade do PC e dos tempos ociosos disponíveis. Quando tiver concluído a tarefa, o programa cliente se reconecta aos servidores, devolve os resultados e obtém uma nova unidade de trabalho. A cada poucos minutos o programa grava um arquivo de checagem no disco do PC, para que possa retornar a tarefa do ponto onde tenha parado, caso o usuário desligue o computador.

A aplicação também não deve interferir com utilização diária do PC e apenas consome ciclos de processador quando o computador estiver inativo. De maneira geral ela opera como um “screen saver”.

O conceito de se usar redes de PCs para resolver problemas computacionais de forma voluntária, a chamada computação filantrópica, popularizou-se com o sucesso do projeto SETI@Home (http://setiathome.berkeley.edu/), de busca por vida extraterrena.

O resultado da computação filantrópica é extremamente interessante. Uma rede voluntária de PCs apresenta uma capacidade computacional equivalente a de muitos dos maiores supercomputadores do mundo, mas a custos irrisórios. O potencial também é fantástico. Se imaginarmos que poderemos ter mais de um bilhão de PCs conectados à Internet e uns 10% a 20% deles ou seja, de 100 a 200 milhões, disponibilizarem ciclos de processador para iniciativas deste tipo, teremos um poder computacional imenso que poderá contribuir em muito para avanço das pesquisas em todas as áreas do conhecimento humano.

Hoje, além do World Community Grid, existem diversos projetos deste tipo como o www.climateprediction.net, o Folding@home (//folding.stanford.edu), o Rosetta@home (//boinc.bakerlab.org/rosetta) e o Einstein@home (//einstein.phys.uwm.edu)

A maioria destes projetos usa um middleware open source chamado Boinc (Berkeley Open Infrastructure for Network Computing, acessado em //boinc.berkeley.edu), e uma lista dos projetos que usam esta tecnologia vocês encontram em //boincstats.com.

O World Community Grid (WCG) está aberto a novas pesquisas. No seu site estão definidas as regras para a proposição de projetos de pesquisa. Porque não identificarmos e propormos iniciativas de pesquisas que demandam capacidade computacional massiva, podem ser operadas em grades computacionais e não dispõem de budgets suficientes? Aliás, a maioria das pesquisas no Brasil carecem de fonte de investimentos e demandam poder computacional que seus budgets não contemplam... Temos campo para pesquisas únicas como doenças tropicais (malária, dengue, esta já um projeto do WCG, leishmaniose e outras), biotecnologia (pesquisas de transgênicos de tomates e alfaces) e climatologia.

Temos uma população disposta colaborar e milhões de internautas com PCs dispostos a ceder tempo ocioso de suas máquinas. O resultado desta doação virtual será de grande valia para nossa sociedade. As empresas e universidades poderiam incentivar seus funcionários e alunos a contribuírem para estes projetos de pesquisa. O resultado é um grande benefício para a humanidade, com pouquíssimo investimento de cada um: um simples download e o consumo de energia para o programa rodar, ao invés da máquina ficar em stand by.

Vejamos o exemplo da dengue. Mais de 2,5 bilhões de pessoas vivem em áreas sujeitas à contaminação, sendo uma doença endêmica em mais de 100 países. São registrados anualmente de 50 a 100 milhões de casos, com 500.000 internações e 20.000 óbitos. Uma aceleração de alguns anos na criação de drogas eficientes, que reduzisse o tempo para sua descoberta em cinco anos, pouparia pelo menos 100.000 óbitos!



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Aug 19 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Friday August 15, 2008

Java em Tempo Real

Há poucas semanas escrevi um post sobre Linux em tempo real. E um colega me perguntou sobre Java em tempo real. Qual minha opinião sobre o assunto. Bem, já que o assunto foi levantado...

A linguagem Java em sua proposta inicial não atendia adequadamente as especificidades dos sistemas de tempo real. Suas limitações iniciais são bem conhecidas por todos desenvolvedores: carga das classes que geralmente é feita quando o programa a referencia pela primeira vez, garbage collection (gerenciamento de memória) e thread management (Java não garante as prioridades das threads). Para resolver este problema foi criada uma extensão chamada de RTSJ (Real Time Specificatons for Java) que buscou endereçar estas restrições e permitir que Java se tornasse uma linguagem adequada para o desenvolvimento de sistemas em tempo real.

Embora C e C++ ainda sejam as linguagens mais usadas em aplicações de tempo real, algumas pesquisas já vem mostrando que Java começa a ser a linguagem de escolha para novos sistemas de tempo real. Alguns sistemas críticos como o Aegis Weapon System da Marinha americana foram dos primeiros a adotar Java como sua linguagem basica de progarmacao. Vejam sua descrição no Wikipedia, em http://en.wikipedia.org/wiki/Aegis_combat_system. A Boeing também já usa Java em seu programa “Joint Unmanned Combat Air Systems' (J-UCAS) X45C”.

A IBM vem investindo bastante em tornar Java um excelente ambiente de programação em tempo real e um case muito interessante foi a criação de diversas funcionalidades como a JVM J9 que implementa uma tecnologia de garbage collection chamada Metronome e técnicas de compilação AOT (Ahead of Time).

Por que este interesse? Primeiro Java é mais facil de aprender e programar que C ou C++. Além disso estima-se que exista uma base bastante grande de desenvolvedores proficientes nesta linguagem. Algumas estimativas apontam que mais de quatro milhões de profissionais dominam Java, no mundo inteiro. Vocês podem acessar o www.tiobe.com e verificar o Tiobe Index, que mostra as linguagens de programação mas utilizadas. Java aparece em primeiro lugar.

E Java contribui em muito para a qualidade do projeto final. A crescente complexidade dos softwares de tempo real, aliados à necessidade de operarem em ambientes de extrema disponibilidade e confiabilidade exige que métodos aprimorados de engenharia de software sejam adotados no seu desenvolvimento. Desenvolver aplicações de qualidade no prazo desejado é o grande desafio para seus projetistas.

Entretanto, desenvolver aplicações de tempo real é uma tarefa diferente da enfrentada pelos desenvolvedores de aplicações comerciais tradicionais. Desenvolver sistemas para este cenário, passa, portanto, por um processo diferente do desenvolvimento de aplicações comerciais. Um desenvolvedor de uma aplicação de folha de pagamento, operando com uma ferramenta de alto nível, sem muitas preocupações quanto à rigidez do tempo de resposta vai se ver em situação difícil ao tentar construir, sem mudar sua maneira de pensar, uma aplicação para rodar em um dispositivo de controle de freios de um automóvel.

Para analisarmos o processo de desenvolvimento de softwares embarcados de tempo real devemos entender o contexto em que eles são desenvolvidos. Estes softwares fazem parte de um produto e não são o produto final, embora sejam parte importante deste produto. O desenvolvimento destes softwares deve ser parte de um projeto maior que deve integrar todos os esforços de engenharia do produto.

Uma série de pesquisas tem mostrado que muitos projetos de software embarcados são entregues com atraso ou cancelados. Em média observou-se que mais de 50% dos projetos tem seus cronogramas atrasados em pelo menos quatro meses e cerca de 11% são cancelados. O custo dos atrasos pode ser significativo. Por exemplo, no setor de aviônicos o custo dos atrasos é estimado de 50.000 a 300.000 dólares por mês.

Outro problema apontado é o nível de conformidade do produto final com as especificações. Identificou-se que pelo menos 30% dos projetos não alcançavam 50% das especificações propostas de performance ou funcionalidade. A medida que os sistemas embarcados aumentam em complexidade, esta situação tende a piorar. A pesquisa mostrou também que adoção de UML (Unified Modeling Language) ainda não é uma prática comum.

A adoção de linguagens de programação mais produtivas e métodos de engenharia de software são essenciais para os desenvolvedores conseguirem trabalhar com sistemas embarcados cada vez mais complexos e entregá-los nos prazos acordados.

Diante destes desafios, fica claro o interesse em se adotar Java, em substituição a C ou C++. Acredito que nos próximos anos veremos Java em muitas e inovadoras aplicações de tempo real.



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Aug 15 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday August 12, 2008

Green IT: o assunto continua...

Vamos voltar ao tema Green IT…O assunto torna-se a cada dia mais quente (sem trocadilhos, por favor...) e recentemente um estudo da McKinsey & Company mostrou que 48% dos executivos acreditam que “environmental issues, including climate change are likely to have the most impact, positive or negative, om shareholder value in the next five years”. Está ficando claro que qualquer que seja o setor econômico a preocupação ambiental vai se tornar cada vez mais evidente, e envolverá desde a construção de novas plantas industriais e prédios até a concepção, desenvolvimento, fabricação, distribuição e descarte do produto final. A pressão por parte da sociedade e dos parceiros de negócios será cada vez maior para que as empresas tenham processos cada vez mais limpos e ecológicos.

Podemos até dizer que em breve estaremos entrando em uma nova onda verde, onde as questões ambientais deixarão de ser apenas obrigação dos parâmetros legais, mas um dos fatores preponderantes para sustentabilidade do negócio. Os executivos estão começando a perceber que no futuro a questão ambiental poderá ser uma restrição ou uma ferramenta para alavancar negócios. As estratégias de negócio vão ter que alinhar competitividade com sustentabilidade.

Portanto a questão Green extrapola a área de TI e deve ser incluída nas estratégias de sustentabilidade ambiental das empresas. A estratégia Green deve estar alinhada com os objetivos da corporação, seus valores e missão. Além disso, as empresas vivem integradas em redes de valor e a estratégia Green deve estar sintonizada com os parceiros, clientes e stakeholders. Não pode ser uma iniciativa isolada.

Entram em campo as tecnologias Web 2.0. Elas podem contribuir em muito para apoiar a estratégia de sustentabilidade ambiental. Por exemplo, uma ação importante é entender as atitudes dos clientes em relação ao tema Green. Através das tecnologias Web 2.0 como wikis, redes sociais ou blogs criam-se focus groups, desenvolve-se surveys e obtém-se sugestões e feedbacks em tempo real de quão eficiente ou adequada as ações Green estão sendo vistas pelos clientes.

A Web 2.0 também pode colaborar na construção de redes sociais voltadas a agregar conhecimento e colaboração focadas em inovações Green. A questão ambiental demanda inovações que extrapolam a capacidade de uma única empresa. Já vemos associações e foruns de indústria com empresas colaborando entre si. Por exemplo a Climate Savers Computing Initiative (http://www.climatesaverscomputing.org/) que reúne Google e World Wildlife Fund. Ou a Eco-Patent Commons (http://www.ibm.com/ibm/environment/news/ecopatent_announce08.shtml) onde empresas como IBM e Pitney Bowes abrem públicamente patentes que possam direta ou indiretamente trazer benefícios ambientais.

Além disso com as tecnologias Web 2.0 podemos criar brain storms virtuais onde funcionários e colaboradores podem agregar idéias e propostas voltadas a ações ambientais. Uma estratégia green não pode ser desenvolvida por um pequeno grupo de profissionais isolados dentro da empresa. A imensa maioria das idéias com certeza virá de fora deste grupo.

Enfim, Green IT é uma pequena, mas importante parte da estratégia Green da empresa. E, acredito que à medida que mais e mais informações sobre sustentabilidade ambiental comecem a se disseminar, os CIOs ficarão mais e mais preocupados. E veremos ações concretas...Uma das primeiras poderá ser a introdução de tecnologias Web 2.0 como suporte as definições das estratégias Green da corporação.

Quem sabe se em breve não estaremos vendo um novo e heróico personagem, o “CIO verde” ? É um pássaro? É um avião? Não é o “CIO Verde”, na sua busca incansável por tornar a área de TI e sua empresa neutra em carbono e ecoeficiente! Bem, reduzir desperdício, tornar sua empresa mais produtiva e ainda ajudar a salvar o planeta...Que bom negócio!



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Aug 12 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Friday August 08, 2008

Green IT: aprofundando conceitos

Green IT é um dos assuntos que mais me interessam. Venho estudando as questões ambientais há algum tempo e quando Green IT surgiu na tela do radar, obviamente que me interessei em um aprofundamento maior.

A questão é que não podemos compreender Green IT sob a ótica superficial de simplesmente ler alguns papers que falam de consumo de energia por parte de servidores e fim de conversa. O tema tem que ser endereçado por uma ótica mais abrangente que envolva a estratégia ambiental da empresa e os próprios problemas ambientais que envolvem a nossa sociedade.

Um das causas dos problemas ambientais que nos afetam (onde Green IT se posiciona) é o fato dos modelos econômicos não contemplarem as questões ambientais adequadamente. Na verdade, os modelos econômicos ignoram o assunto meio ambiente

O que vemos hoje? O principal indicador utilizado por toda a sociedade para avaliar seu progresso é o PIB (Produto Interno Bruto). Mas o PIB não reflete indicadores sociais e ambientais, como melhoria do nível de emprego e qualidade de vida. Um crescimento de 5% do PIB não pode se traduzir diretamente em melhorias percebidas na qualidade de vida da população. E quando acontece esta eventual melhoria, uma má distribuição desta riqueza, concentrada em poucos, não é captada pelo indicador.

O problema é que o PIB reflete um fluxo de riqueza puramente comercial e monetário. Assim, tudo o que se pode vender e que tem valor monetário agregado aumentará o PIB e o chamado desenvolvimento econômico de um país, mas que não necessariamente implica em aumento do bem-estar da sociedade.

Existem diversos indicadores alternativos ao PIB que já começam a ser usados e que buscam refletir uma visão mais holística e menos cartesiana da economia e seus efeitos. Claro que alguns tem viés mais sociais, focados no desenvolvimento humano e social, e outros dão mais ênfase a valores ambientais. Talvez nenhum deles seja o ideal e precisamos criar um mix de vários ou mesmo trabalhar com mais de um indicador ao mesmo tempo. Temos campo para um amplo debate.

Já começam a aparecer alguns indicadores criados com predominância de fatores ambientais, que podem ser usados como alternativa ao PIB.

O mais conhecido dos indicadores ambientais é a Pegada Ecológica. Este indicador se tornou conhecido a partir da publicação, pelos seus criadores, Mathis Wackernagel e William Rees, no seu livro “Our Ecological Footprint: Reducing Human Impact on the Earth”. A idéia central deste indicador é a seguinte: as atividades humanas de produção e consumo utilizam recursos naturais, alguns dos quais não-renováveis (petróleo e gás natural, por exemplo) e outros renováveis, no sentido que podem se reproduzir ou se regenerar sem a intervenção do homem, como solos e florestas. Somente estes últimos são objetos de interesse da pegada ecológica, por que, segundo seus autores, constituem os problemas mais graves no longo prazo.

O princípio da pegada ecológica é simples: os recursos renováveis utilizados pelo homem em suas atividades podem ser convertidos em superfície do planeta. O cálculo pode abranger toda a humanidade, ou um país, uma empresa ou uma pessoa. Hoje, segundo os relatórios do WWF, a pegada ecológica mundial está em 120% do planeta utilizável. Isto significa que a humanidade toma emprestado da natureza, todos os anos, 20% de recursos naturais a mais do que o fluxos anuais de regeneração natural desses recursos.

Mas, porque não vemos esta situação? Primeiro porque esta contabilidade permanece desconhecida e o que não é contabilizado, simplesmente não conta. Além disso, este endividamento não traz consequencias a curto prazo. É um problema para as futuras gerações...Hoje posso ficar rico desmatando uma imensa área florestal para criar gado e se houver um problema ambiental, quem vai pagar o pato são meus netos ou bisnetos, que ainda nem nasceram...Um outro ponto importante é que este endividamento não aparece nos indicadores econômicos.

Hoje existe uma dicotomia entre meio ambiente e desenvolvimento econômico. Esta visão cartesiana, economia de um lado e meio ambiente de outro é totalmente errônea.

Para entendermos o porque deste paradigma devemos voltar na história da nossa sociedade. Um dos grandes influenciadores das ciências foi René Descartes, que em seu livro Regulae ad Directionem Ingenii, publicado em 1628, desenvolveu um método científico baseado no dualismo da natureza. Entre seus ensinamentos para o raciocínio científico colocou regras como dividir os problemas em suas partes mais simples e resolver os problemas começando pelo mais simples e evoluindo para o mais complexo.

Posteriormente Isaac Newton consolidou o método racional dedutivo de Descartes criando os princípios da mecânica. A partir destes princípios surgiu o paradigma cartesiano-newtoniano.

Este paradigma é o direcionador das ciências ocidentais. Cada campo científico deve ser visto de forma isolada. Assim, meio ambiente é campo de atuação dos ambientalistas. Desenvolvimento e políticas econômicas é o campo de atuação dos economistas.

E porque é importante começarmos a usar indicadores que incluam meio ambiente em seu conteúdo? Exatamente porque precisamos de uma visão holística da economia, considerando que meio ambiente e as preocupações ambientais não podem ser ignoradas.

Precisamos sim mudar nossos sistemas de valores. Os indicadores e a visão cartesiana que separa economia do meio ambiente deve ser revisto. Criar uma ecoeconomia que norteie nosso crescimento econômico de forma sustentável só vai acontecer quando e se esta reinvidicação for do conjunto da sociedade. Green IT faz parte deste movimento maior!



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Aug 08 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Wednesday August 06, 2008

Pirataria de software: alguns debates

Um assunto que volta e meia aparece na mídia é o da pirataria de software. Bem, gostaria de debater com vocês algumas das minhas idéias sobre o assunto. Mas, antes, como é um tema meio “complicado”, quero deixar claro que vou expressar minhas opiniões pessoais, que não necessariamente representam a opinião da IBM. Aliás, aproveito para enfatizar que todos os posts deste blog expressam minha visão pessoal, não sendo estas necessariamente as mesmas do meu empregador.

O próprio termo pirataria de software gera controvérsias. Alguns afirmam que o termo é impróprio pois uma cópia não autorizada de um software não é um ato violento como os comumente associados aos piratas. A terminologia mais precisa e menos melodramática, segundo estes críticos seria portanto “cópia não autorizada”.

De qualquer maneira volta e meia surgem campanhas anti-pirataria e organizações como a BSA afirmam que a pirataria ou cópia não autorizada seria um dos maiores problemas da indústria de software, causadora de um prejuízo de dezenas de bilhões de dólares por ano.

Por outro lado, alguns analistas de indústria sugerem que estes valores estariam sendo superestimados, porque muitos usuários das cópias ditas piratas e contabilizadas no cálculo do prejuízo, não usariam o software caso tivessem que pagar por eles. Este fato aconteceria principalmente nos países de menor poder aquisitivo, onde o valor de uma cópia de software excede em muito a capacidade de dispêndio de um usuário típico. Outro argumento comumente usado nas campanhas anti-pirataria também é questionado por estes críticos: o uso de cópias não autorizadas não reduziria empregos e inovações, mas o efeito seria o contrário, uma vez que usuários e pequenas empresas que usam estes softwares (que não teriam acesso caso fossem pagos) aumentam a eficiência de suas operações, melhorando o desempenho da economia, consequentemente gerando mais renda e empregos.

Alguns chegam a argumentar que a pirataria seria até benéfica para alguns fornecedores de software de massa, pois cria uma base de usuários muito grande, gerando hábitos de uso, formando uma barreira de entrada muito elevada, impedindo a adoção de produtos substitutos, como alguns softwares Open Source.

Enfim, existem argumentos dos dois lados e sem tomar partido ou levantar a bandeira da ilegalidade, com o qual não concordo, vamos debater a questão de forma racional, sem emotividades.

Primeiro, porque existem tantas cópias piratas? Bom, um facilitador é a facilidade de se copiar software, pois a gravação de CDs contendo todo um sistema operacional é fácil e barato. E um único conjunto de CDs pode ser usado para instalar o software em dezenas de máquinas. A cópia via Internet, principalmente usando-se recursos como P2P, também é outro meio barato e rápido.

Mas o que impulsiona as cópias não autorizadas, na minha opinião, é o baixo valor percebido do software por parte dos seus usuários. Se olharmos uma suite de escritórios como o Office, por exemplo, veremos que uma grande parcela de suas funcionalidades não é usada ou não gera real valor para a maioria dos seus usuários. Como estas funcionalidades aumentam o preço, o usuário não se sente motivado a pagar por algo que não usará ou lhe trará benefícios visíveis. É uma situação que chamamos de excesso de capacidade, quando as funcionalidades embutidas excedem a capacidade de uso dos seus usuários típicos.

De maneira geral a maioria dos usuários não autorizados são usuários domésticos ou pequenas empresas, que usam apenas as funções básicas do software. Um aluno de uma universidade, por exemplo, precisa de um editor de textos para digitar seus trabalhos e nem sempre o utiliza diariamente. Para ele um uso esporádico de funções básicas não justifica o alto valor cobrado por funcionalidades não utilizadas.

Outro aspecto que devemos analisar é quem são os tais “piratas”? Bem existem os que copiam software para seu uso pessoal, como usuários domésticos que precisam usar esporádicamente um editor de textos para desenvolver um trabalho escolar ou um simples curriculum vitae. Mas, existem também os que se beneficiam financeiramente (e não contribuem com impostos para o país) de cópias não autorizadas, vendendo-as a preços bem menores que os do produto original. No primeiro caso, não acredito que estes usuários causem prejuizos às empresas de softwares, pois eles não comprariam mesmo o produto. Usam porque seu custo de aquisição é zero...Por outro lado os comerciantes ilegais usufruem financeiramente da cópia não autorizada e burlam os mecanismos fiscais.

OK, copiar de forma não autorizada é uma violação das leis...Mas, antes de buscar punições e explorações midiáticas de usuários pegos com cópias piratas, talvez seja melhor encontrar soluções que minimizem o problema, enfrentando de forma adequada a situação. Para mim, está claro que o modelo comercial vigente adotado pelos produtores de softwares de massa incentiva (embora indiretamente) a pirataria. Para combate-la é necessário rever o modelo...

E que pode ser feito para impedir ou minimizar o hábito (já arraigado...) de cópias não autorizadas?

Uma alternativa seria que o preço dos softwares sejam ajustados as necessidades dos usuários. Um usuário doméstico, que utiliza as funções básicas de uma suite de escritórios esporádicamente paga por todas as funcionalidades nele embutidas e não utilizadas. Mas, a solução mais adequada para o mercado de softwares de massa, como suítes de escritório, seria a adoção intensiva de alternativas Open Source. O mercado atual dispõe de excelentes substitutos ao pacote Office, como o Google Docs, o OpenOffice e a suíte gratuita Symphony da IBM.

Na minha opinião o movimento Open Source é um risco muito maior para as empresas de software de massa baseadas em modelos de negócio proprietários que a própria pirataria. Uma cópia não autorizada aumenta a externalidade de rede (mais usuários geram mais interesse em novos usuários adotarem o mesmo software), enquanto que um substituto Open Source quebra este modelo. Daí que durante muito tempo os esforços de pressão e propaganda (FUD) de determinadas empresas de software foram muito mais direcionados a combater o crescimento do Open Source que combater a pirataria.

Outro dia vi um post muito interessante do Bob Sutor, VP de Open Source da IBM que discutia o assunto Open Source e pirataria. O endereço do seu blog é www.sutor.com/newsite/blog-open.

Seu argumento é o seguinte (e vou copiar aqui o texto do blog dele, que é muito interessante):

“Suppose that it is 100% guaranteed that you could not pirate proprietary software. In that case the price of the software would very much factor into the TCO calculation. Given the existence of “good enough” open source competitors, the proprietary software would need to offer significant advantages in terms of price, quality, features, security, ease of use, upgrade policies, support, and service. In turn, however, open source software would evolve to keep pace with the proprietary software. Whether you think open source or proprietary software wins in this case, the consumer of the software comes out ahead.

On the opposite end, assume that piracy is rampant and use of stolen software carries no consequences. Then all software is “free” and price is no longer part of equation of how users decide what to use. The other factors such as quality, ease of use, and security become much more relevant. Once again, competition improves both kinds of software and consumers win again. Unless they have other sources of income, providers of proprietary software will probably not stay in business very long in this scenario.

Life in the software world doesn’t exist at either of these extremes and there is a lot one could argue about the freedoms afforded by free and open source software. In practice today, I think the balance and competition between proprietary and open source software is improving software in general and driving innovation.”.

E finaliza com algumas questões:

“. How much is anti-piracy enforced in areas that are seeing adoption growth of open source software?

. Have some vendors and their surrogates adopted an attitude of “we don’t like that they steal our software, but we would rather they used our software than someone else’s, including open source?

. Are we seeing measurable movement to or from open source when piracy increases or decreases?”.

Enfim, são questionamentos bem interessantes e acho que vale a pena pensarmos um pouco mais no assunto…



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Aug 06 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Monday August 04, 2008

Ecossistema Open Source: amadurecendo rápido!

O ecossistema em torno do Open Source já é maduro o suficiente para impactar a indústria e os usuários de software. Existe um crescente número de soluções de negócio baseadas em Open Source entregando valor real para as empresas. As organizações já olham e implementam softwares Open Source sem os receios de alguns anos atrás. O momento ideológico e radical já ficou para trás, e a razão e não a emoção estão direcionando as estratégias de adoção de Open Source.

Portanto, o cenário atual do Open Source, se fizermos uma rápido sumário vai nos mostrar:

a)Os ecossistemas Open Source e proprietário/fechado estão convergindo cada vez mais, cada um aproveitando e explorando as melhores idéias do outro. Vemos empresas criadas no modelo Open Source adotando modelos de negócio considerados tradicionais, bem como empresas de softwares proprietários adotando os conceitos e ofertando soluções Open Source em seu portfólio.

b)Os ecossistemas Open Source já movimentam volumes significativos de dinheiro e está claro que o tempo das comunidades 100% voluntariadas já passou. As comunidades estão muito mais abertas à colaboração e contribuição das empresas de software.

c)Já existe um consenso que ambos os modelos (Open Source e proprietário) vão coexistir, pelo menos em um horizonte previsível. E que um mundo só Open Source, que destruiria o valor da tradicional industria de software, ainda está muito longe de acontecer.

A IBM, indiscutivelmente é um case de sucesso de adoção estratégica de Open Source. A IBM vem adotando Open Source de forma abrangente e pragmática, com forte integração com as comunidades. Uma frase de Jeff Smith, VP de Open Source and Linux Middleware da IBM é emblemática: “Open Source is important and fundamental for us. Our goal is to build advantages from Open Source into IBM’s core businesses, rather than to build something interesting on the side”.

E, portanto, nada mais natural que volta e meia sejamos consultados por parceiros ou empresas de software (ISVs) quanto a viabilidade deles adotarem Open Source em sua estratégia de negócios.

Coletei algumas dicas, um pequeno check-list de “como ir para Open Source”, que foi construído informalmente ao longo das várias interações que tive com os executivos destas empresas. Gostaria de compartilhá-las com vocês.

a)Primeiro estude os conceitos Open Source. Comprenda os prós e contras, entenda como as comunidades funcionam (olhe por exemplo as comunidades Eclipse, Apache e Linux), estude as diversas alternativas de licenças e analise os projetos Open Source de sucesso (e veja também alguns que não deram certo...).

b)Analise a competição das alternativas Open Source no seu segmento de atuação. O seu software já enfrenta concorrência do Open Source? Estas alternativas são bem sucedidas, com comunidades atuantes? O resultado da análise é mostrar que caso você adote Open Source, se seu produto terá condições de conquistar uma comunidade de colaboradores com massa crítica o suficiente para que o modelo Open Source de desenvolvimento seja adotado.

c)Valide se seu modelo de negócio não conflita com Open Source e que mudanças serão necessárias. Lembre-se que Open Source não é um Business Model por si, mas uma inovação no processo de desenvolvimento, distribuição, marketing e comercialização. Verifique se a mudança em seu modelo de negócio irá gerar mais ou menos receitas…A idéia é simples: quão rapidamente suas novas receitas basedas em modelos Open Source compensarão a perda da receita dos clientes atuais advindas com o modelo tradicional?

d)Caso sejam mantidas versões Open Source e proprietárias, defina claramente os limites de funcionalidades de cada uma. Não esqueça que a versão Open Source deve ser atrativa o suficiente para atrair usuários e comunidades de colaboradores. Especifique que funcionalidades premium serão reservadas para a versão proprietária (se existir) e qual o valor percebido desta funcionalidade para o usuário investir seu dinheiro na aquisição de sua licença de uso.

e)Escolha um nome e um logo adequado, que diferencie a versão Open da proprietária.

f)Escolha uma licença adequada ao seu modelo de negócios. Não invente novidades, mas adote uma já existente. E não esqueça de verificar se o o código do seu produto não contém componentes que invalidem a licença escolhida…

g)Tenha certeza que o código fonte a ser liberado está em boas condições…É um código espaguete monolítico ou é modular e bem condificado? Está bem documentado? Um código fonte que ninguém consiga entender vai desestimular a colaboração. Se seu código não estiver adequado, esqueça!

h)Crie uma infraestrutura adequada para apoiar a comunidade, com um website, wiki, FAQ, forums de debates, roadmap, informações de contato, regras de uso e comportamento da comunidade, etc. Não confunda a comunidade integrando o site da versão Open Source com a proprietária…São projetos diferenciados. Publique o código fonte em um diretório bem conhecido como SourceForge.

i)Anuncie publicamente o seu projeto Open Source. Apesar da força da divulgação via Internet, reserve um budget para press releases, ações de mídia, etc.

j)Seja paciente. Os resultados nem sempre virão no dia seguinte. Não esqueça que seu software terá que se destacar na multidão, competindo muitas vezes pelos mesmos desenvolvedores que podem já estar envolvidos em outros projetos. Mantenha contante pressão para que a comunidade cresça e se torne atuante. Publicar o software e deixá-lo de lado é tornar o software órfão…

k)Ir para Open Source não é uma aventura de curta duração, mas um compromisso sério e permanente. Exige muito esforço e comprometimento. É uma decisão estratégica e não meramente comercial.

E uma recomendação final. Leiam o livro “Producing Open Source Software”, de Karl Fogel, disponível for free via PDF em //producingoss.com. Boa sorte!



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Aug 04 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Friday August 01, 2008

Cuil: desafio ao Google?

No último post falei do Google. Bem, então vou falar nele de novo, mas sob outro ponto de vista: o aparecimento de um concorrente, o site de busca Cuil. O Cuil (www.cuil.com) é uma nova empresa, recém-criada no Vale do Silício, que anunciou um novo mecanismo de busca na Internet, e que segundo eles já é maior que o próprio Google, uma vez que já indexa 120 bilhões de páginas ou três vezes mais páginas que o Google. O sistema entrou no ar em 28 de julho, depois de um investimento de 33 milhões de dólares e dois anos de intenso trabalho de desenvolvimento.

O nome Cuil (pronuncia-se “cool’) vem do gaélico e significa conhecimento. Segundo seus executivos o Cuil utiliza uma tecnologia que exige apenas uma fração do espaço de armzenagem e de capacidade de processamento do Google.

Entre seus fundadores estão Ana Patterson, que foi arquiteta chefe do projeto TeraGoogle, o sistema de indexação do Google, e Tom Costello, que participou do projeto WebFountain da IBM (http://en.wikipedia.org/wiki/IBM_WebFountain).

O Cuil usa um mecanismo diferente do Google, classificando as páginas por meio de seu conteúdo (relevância) e não por popularidade, o que significa maior privacidade para os usuários, uma vez que não há qualquer coleta e armazenamento de dados pessoais. Para maiores detalhes acessem o site www.cuil.com e vejam a opção “About Us”.

Já usei o Cuil. Sua página de abertura é simples como a do Google, mas para firmar a diferença ela é preta. A visualização também é diferente, mostrando os resultados em colunas (como em jornais), abrindo inclusive espaço para opções de busca drilldowns.

Agora, o Cuil conseguirá ameaçar a predominância do Google? Em junho, segundo pesquisas o Google foi responsável por 61,5% das 11,5 bilhões de pesquisas efetuadas pelos internautas americanos nos cinco principais sites de busca (Gogle, Yahoo, Microsoft, Ask e AOL). Derrubar este liderança não é fácil. Existe toda uma inércia, um hábito já arraigado de se usar o Google para pesquisas na Web. Bem, eu pelo menos, vou me forçar a usar o Cuil (além do Google) para criar um hábito novo...Claro que ainda existem problemas a serem corrigidos, típicos de qualquer novo software. Em algumas pesquisas o resultado foi frustrante...e as vezes a busca me pareceu meio lenta. Coisas de lançamento!

Mas, além de vencer a inércia, bater de frente com um inimigo já encastelado é sempre uma batalha dificil. A maioria das tentativas de concorrência com o Google aparecem em áreas onde ele é mais fraco, como buscas em dispositivos móveis ou em linguas não inglesas. Mas, enfim, a decisao estratégica dos fundadores e investidores do Cuil é partir para uma batalha frontal. Vamos ver o que vai acontecer!

Bem, e se vocês quiserem uma análise mais detalhada do Cuil leiam este texto do site SearchEngine Land em http://searchengineland.com/080728-000100.php.



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Aug 01 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Wednesday July 30, 2008

O Google Lively e os mundos virtuais

Há poucas semanas o Google anunciou sua entrada nos mundos virtuais com o Lively. Muita gente compara o Lively com o Second Life, mas na minha opinião são coisas bem diferentes.

O frenesi gerado pelo Second Life no ano passado já passou. Entretanto, existem outras iniciativas muito interessantes, como o There.com, que aliás venho usando mais que o Second Life.E o que queremos agora são mundos virtuais conectados, onde possamos teleportar avatares e objetos de um mundo para o outro. Recentemente a IBM e a Linden Labs conseguiram teleportar um avatar do Second Life para o OpenSim. Vejam em http://blog.secondlife.com/2008/07/08/ibm-linden-lab-interoperability-announcement/.

Os mundos virtuais estão em um ponto de inflexão. Eu acredito que dentro de alguns anos a Internet3D ou Web3D será um interface comum como hoje é o interface gráfico em 2D, como vemos no Windows.

Aí é que entra o Lively. O Lively embute algumas carateristicas interessantes, principalmente de ser baseado em browser, facilitando sua integração com outras aplicações Web. Ele está muito mais ligado ao contexto das comunicações existentes em redes sociais (uma maneira de se auto-expressar...) que a um típico mundo virtual como o Second Life.Ou seja, além de blogs, YouTubes, Wikis, Orkuts e outras mecanismos de interação social, o usuário agora poderá se expressar via avatares.

Vale a pena experimentá-lo. Acessem http://www.lively.com/html/landing.html.

Aliás, eu imagino que dentro de uns dez anos email será tecnologia de aposentados...Apenas pessoas mais vetustas é que usarão este meio de comunicação. Perguntem a qualquer adolescente se ele ainda usa email...

Bem, eu também acredito que a entrada do Google no contexto dos mundos virtuais poderá ser um acelerador para reativar o interesse nestas tecnologias. E um provável beneficiário será o projeto Open Source chamado OpenSimulator, tecnologia aberta para criação de mundos virtuais. Vejam o que seu site diz na abertura : “The OpenSimulator Project is a BSD Licenced Virtual Worlds Server which can be used for creating and deploying 3D Virtual Environments. It has been developed by several developers. Out of the box, the OpenSimulator can be used to create a Second Life like environment, able to run in a standalone mode or connected to other OpenSimulator instances through built in grid technology. It can also easily be extended to produce more specialized 3D interactive applications.”.

Bem, o URL é http://opensimulator.org/wiki/Main_Page. E quem sabe um dia não veremos um mundo virtual brasileiro, baseado no OpenSim?



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Jul 30 2008, 05:45:37 PM BRT Permalink



Monday July 28, 2008

Linux em Tempo Real

Uma publicação que leio sistemáticamente é o IBM Systems Journal (http://www.research.ibm.com/journal/sj/). O seu último número é dedicado a Real-Time and Event Based Systems.

Um sistema de tempo real é um sistema determinístico ou seja, não aceita variações no seu tempo de resposta entre a ocorrência de um evento e a própria resposta do sistema. De maneira geral é classificado como “hard” quando a variação é absolutamente inaceitável ou “soft” quando latências muito pequenas podem ser aceitas.

Estes sistemas eram feudo de aplicações específicas, de computação embarcada, como em controle de processos, controle de tiro em navios, aviônicos, etc. Mas, hoje começamos a ver aplicações de tempo real no ambiente corporativo. A demanda por respostas mais rápidas por parte dos sistemas tem gerado uma maior atenção aos sistemas de tempo real. Alguns exemplos típicos são os jogos pela Internet (multiplayer online games) e mundos virtuais, que devem simular a física em modo real, mas também sistemas de varejo e de deteção de fraude em cartões de crédito.

Um estudo chegou a afirmar que os usuários de sites comerciais Web julgam como adequado um tempo de resposta de poucos segundos. Demoras maiores desestimulam a continuidade da transação comercial. Como os objetos e os sistemas começam interagir uns com os outros, sem interferência humana, o tradicional delay causado pelo usuário desaparece em muitas situações. Por exemplo, na Bolsa de Nova York (New York Stock Exchange) mais de 1/3 de todas as operações são programadas automaticamente e os sistemas devem responder em milisegundos, sem intervenção humana.

Na publicação me chamou atenção o artigo “Real-time Linux in real time”, que pode ser baixado em http://www.research.ibm.com/journal/sj/472/hart.pdf, e que descreve como foi o projeto de construir uma versão em tempo real do Linux, pela equipe do LTC (Linux Technology Center) em cooperação com a comunidade Linux. O paper descreve as principais etapas do projeto, os desafios, as tecnologias adotadas e assim por diante. Mostra porque e como foram feitas alterações no kernel em algoritmos como “threaded interrupt handlers” e no scheduler de processador, entre outros tecnicismos... É uma leitura técnica que mostra como um sistema Linux pode ser evoluído para trabalhar em tempo real.

As conclusões do texto, que vou manter no original diz: “Enterprise real-time Linux is a radical development in a few critical ways. First, it is a case study in how open source techniques and leveraging work done by the open source development community can accelerate product development. Second, it demonstrates the merging of real-time technologies into enterprise systems and into a high-level language such as Java.”.

Todo mundo que esteja interessado em entender um pouco mais de sistemas em tempo real e saber como um projeto Open Source como o Linux real-time pode e foi desenvolvido, tem nesta publicação uma fonte fantástica de informações. Vale a pena ler.



Categories : [   Linux  |  OpenSource  ]

Jul 28 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Sunday July 27, 2008

VI Congresso Internacional Brasil Competitivo

Esta semana estive em Brasilia participando de dois eventos muito importantes.Na terça feira estive no Sexto Congresso Internacional Brasil Competitivo, que abordou o tema “200 anos de Estado: a Inovação na Gestão Pública”.

Os debates foram extremanente interessantes e fiquei feliz em ver seis governadores se comprometendo publicamente com melhorias da gestão nos seus estados, inclusive mostrando números e dados que comprovam os esforços feitos. Isto me sinaliza uma mudança fundamental na mentalidade da gestão pública: a busca pela maior eficiência administrativa e a conscientização que o estado deve prestar contas aos seus cidadãos. Infelizmente eles ainda são minoria na gestão pública brasileira...

Nos debates pincei algumas frases que me chamaram a atenção. Uma delas foi “países competitivos exportam produtos, enquanto países não competitivos exportam pessoas”. Outra interessante foi “competir com países com salários baixos significa comparar-se com países pobres”. A conclusão que posso chegar analisando estas frases é que o Brasil não deveria buscar competir com Índia e China pela mão de obra mais barata, mas buscar competir em produtos de maior valor agregado.

Na quarta estive participando de um workshop que a ABDI e o MBC (Movimento Brasil Competitivo) organizaram em conjunto com uma delegação americana do Council on Competitiveness. Também foi um debate extremamente rico e alguns pontos críticos foram ressaltados, entre eles a necessidade de incentivar o empreendedorismo nas universidades. Também ficou claro a carência de formação de profissionais em ciências exatas como engenharia e computação.

Ah, e gostaria de chamar atenção para o Portal da Inovação (http://www.portalinovacao.mct.gov.br/pi/), gerenciado pela ABDI e que é um espaço de interação e cooperação entre empresas e a comunidade técnico-científica. O portal permite que especialistas e grupos de pesquisa ofertem competências, interajam com empresas e acessem informações exclusivas. As empresas, por sua vez, indicam as suas demandas por cooperação. Vale a pena dar uma olhada.

E aproveitando a oportunidade, consegui conversar com John Kao, um dos participanets do workshop, e autor do livro “Nação Inovadora”. O livro aborda, do ponto de vista dos EUA, os problemas que este país tem enfrentado diante dos desafios da inovação. Segundo ele, o que explica que a Finlândia é a economia mais competitiva do planeta e que os estudantes americanos estejam em 24° lugar em conhecimentos de matemática e em 26° na habilidade para resolução de problemas? O autor adverte que os EUA estâo perdendo seu poder na liderança da economia mundial. Mas, mostra alguns caminhos que podem e devem ser seguidos. Embora o Brasil não seja os EUA, pois as nossas diferenças sócio-econômicas são abissais, muitos dos ensinamentos e idéias do livro podem ser aplicadas aqui. Foi uma conversa bem agradável e o que é melhor, consegui um exemplar autografado...



Categories : [   inovacao  ]

Jul 27 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Thursday July 24, 2008

Green IT em empresas SMB

Outro dia li um relatório muito interessante, publicado pela Info-Tech Research Group, chamado “Mid-Market Innovates with Green Technologies”, que me surpreendeu. O relatório dizia claramente “ The mid-market is leading adoption of green technologies. This group has the best of both worlds: mid-market enterprises are large enough to be concernerd about IT energy consumption and waste and yet still small and agile enough to do something about it”.

Bem, até o momento estava imaginando que o movimento de Green IT estaria concentrado nas grandes empresas. Bem, eu e muitos analistas de indústria pensavam assim. O Gartner recentemente havia escrito “While green IT is one of the hottest topics in politics and in the media, the majority of SMBs are not focused on green IT. Those that are aware of green IT are driven primarily by cost savings”.

Mas, o que parece é que as SMBs americanas (a pesquisa foi efetuada nos EUA) estão se mostrando mais ágeis que as grandes corporações em adotar iniciativas de Green IT. Uma das razões apontadas no relatório é que muitas empresas SMB estão chegando ao limite da capacidade de energia e refrigeração de seus data centers e não tem recursos para construir outros. Como resultado a decisão de tornar a infraestrutura atual mais eficiente é uma decisão natural.Também estão intensamente envolvidos em projetos de consolidação e virtualização de servidores, outro forte driver para Green IT. Além disso, tem menos comprometimentos com sistemas legados e conseguem redesenhar sua infraestrutura tecnológica mais rapidamente.

Não tenho dados da situação das SMBs no Brasil...Mas me parece que quando olhamos empresas de 250 a 500 funcionários a situação tanto aqui quanto lá é bastante similar. São empresas que conseguem tomar decisões mais rapidamente que as grandes corporações, e podem obter ganhos significativos com iniciativas de Green IT. Portanto, creio que à medida que os conceitos de Green IT se disseminem, veremos em breve alguns cases de sucesso pipocando aqui e ali em empresas SMB. Alguém quer apostar?



Categories : [   BigGreen  |  GreenIT  ]

Jul 24 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday July 22, 2008

Linux em desktop: o que há de novo

Há alguns dias li o relatório do IDC “Worldwide Linux Operating Environments 2008-2012 Forecast: Taking Linux to the Next Level”, onde é demonstrado que a base de usuários Linux em desktop está crescendo. As estimativas do IDC para Linux em desktop projetam um crescimento ano a ano da base instalada de 19% entre 2007 e 2012. Vemos também a crescente adoção do ODF e suites como OpenOffice e Symphony no mundo todo.

E aí me passou pela cabeça...Será que o monopólio da Microsoft não estará com os dias contados? Muito cedo para dizer, mas é inegável que movimentos como o Software as a Service (como o recente anúncio do Goole Apps Premier), problemas com o Vista, o crescimento da base instalada de Linux em desktop e a adoção do ODF causam algum tremor ns trincheiras do Windows/Office...

Recentemente analistas do Gartner, em uma palestra, disseram que o “Windows is collapsing” como vocês podem ver em http://www.computerworld.com/action/article.do?command=viewArticleBasic&articleId=9076698.

Os pontos principais que eles apresentaram foram:

a)“Windows has become too big and complex, thereby hindering innovation”,

b)“PC growth has slowed except in emerging markets. The emerging markets depend on lower-priced PCs which cannot run Vista”,

c)“The increased move to web-based applications makes the operating system less relevant”.

O Vista não tem tido a aceitação que a Microsoft esperava. Sua insaciável demanda por hardware muito poderoso e os poucos benefícios tangíveis estão fazendo com que muitas empresas e usuários não o adotem. Vejam este artigo “Vista adoption will continue at slow pace” em http://www.microsoft-watch.com/content/vista/vista_adoption_will_continue_at_slow_pace.html. O Gartner em um recente relatório disse “Our 2007 Gartner operating system survey shows that less than 3% of corporate notebooks and 1% of desktops are running Windows Vista, as companies are delaying Windows Vista deployment versus original projections in 2006.”.

Uma das razões é explicada no artigo “Fat, fatter, fattest: Microsoft’s kings of bloat” que pode ser acesssado em http://www.infoworld.com/article/08/04/14/16TC-winoffice-performance_1.html. Fica claro porque os usuários preferem ficar com o XP e não migrar para o Vista.

O resultado é que a Microsoft está acelerando o ritmo para conseguir entregar o sucessor do Vista (chamado de Windows 7) mais cedo que esperava...Ora, se vem aí mais um sistema, me parece que não vale a pena mesmo instalar o Vista e gastar um bom dinheiro em migração e em pouco tempo migrar de novo. Melhor aguardar...

O Gartner também em um outro relatório disse que “Most organizations running Office 2003 do not need to move to Office 2007 to "stay current" but should move if there are real business reasons for the migration.”. Vejam o texto em http://mediaproducts.gartner.com/reprints/microsoft/vol2/article8/article8.html.

Resumo da ópera...Porque não considerar Linux nos desktops? Porque não adotar outras suites de escritório mais baratas? Porque manter o status-quo quando existem novas oportunidades a serem exploradas, mais baratas e menos problemáticas?

A redução dos gastos em licenças ao migrar para Linux e suites como OpenOffice ou Symphony é signficativa. Imaginem uma grande empresa com uns 3.000 usuários usando estes softwares...Quanto não economizariam?

A propósito o Symphony ganhou o prêmio de produto do ano de 2008 da Datamation para softwares de escritório: “When it comes to total numbers of users, there’s no question that Microsoft Office is the 800-pound gorilla of this category. The deeply entrenched Office makes the corporate world go ‘round. Given Office’s status, it’s a major eyebrow raiser that this category was won by relative newcomer IBM Lotus Symphony. Perhaps it’s because Big Blue’s product is free (that always helps), or because IBM is itself such an established vendor. Whatever the case, consider this vote as a huge upset””. Vejam em http://itmanagement.earthweb.com/cnews/article.php/3727446.



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Jul 22 2008, 07:40:52 AM BRT Permalink

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